Ensinando a Experiência Estética através de Filme: Ela Dança, Eu Danço

Ensinando a Experiência Estética através de Filme: Ela Dança, Eu Danço

Olá, Marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando a noção de experiência estética através do filme Ela dança, eu danço. A experiência estética é a reflexão sobre experimentar obras de arte antes de julgá-las e o filme em questão ajudará os alunos a compreenderem bem isso. Vamos lá!

Ensinando a Experiência Estética através de Filme: Relembrando o Conceito

Gosto e Subjetividade

O gosto não deve ser reduzido a uma preferência subjetiva e arbitrária, na qual o indivíduo se torna o critério único de valor. Em vez disso, a verdadeira experiência estética privilegia o conhecimento em detrimento da preferência pessoal. Ter gosto, portanto, consiste no exercício de um julgamento isento de preconceitos, exigindo uma abertura genuína ao que a obra de arte se propõe a comunicar.

A Atitude Estética

Existe uma diferença clara entre analisar tecnicamente as propriedades de uma obra e realmente apreciar suas qualidades. A experiência estética nasce de um olhar contemplativo e ‘desinteressado’, ou seja, sem segundas intenções. Isso significa que essa experiência não busca uma verdade lógica ou científica, não pretende gerar uma ação imediata no mundo e, acima de tudo, não serve para medir a utilidade prática do objeto.

“O que isso quis dizer”?

Não posso me se sentir obrigado a compreender algo da arte. Não admiro uma obra de arte porque quero uma explicação lógica/racional/científica de algo da realidade. Exemplo: ver uma pintura sobre guerra achando que o campo de batalha é igual ao da pintura.

“O que eu faço com isso”?

Não posso me sentir obrigado a fazer algo com a arte. Não admiro uma obra de arte tendo algum objetivo ou propósito definidos previamente. Exemplo: ver um filme na escola já sabendo que farei um trabalho escolar dele.

“Para que isso me serviu”?

Não posso me sentir obrigado a fazer com que uma arte serva para alguma coisa. Não admiro uma obra de arte pensando em como ela me será útil para alguma coisa. Exemplo: ler um livro só para impressionar alguém que gosto.

Atenção!

O fato de não ser obrigado não quer dizer que a arte não possa proporcionar alguma dessas características citadas anteriormente! Ou seja, pode ser que, ao contemplar uma obra de arte, você aprenda algo com ela, se sinta motivado a fazer algo e/ou considere que ela lhe foi útil para alguma coisa.

A Recepção Estética

Para que ocorra uma autêntica experiência estética, o sujeito precisa estar verdadeiramente presente diante da obra. É essa entrega que permite enxergar tudo o que a criação deseja revelar ao espectador. Além disso, é fundamental receber a arte com total disponibilidade, deixando de lado preconceitos ou condições impostas. No fundo, trata-se de se permitir viver a obra exatamente da forma como ela se apresenta.

A Compreensão pelos Sentidos

O desafio da arte atinge tanto a mente quanto os sentidos. Quando encaramos uma obra de forma livre e autêntica, todo o nosso ser participa da criação de significado. Esse processo vai além do momento: cada experiência estética apura nossa sensibilidade e nos expande intelectual e emocionalmente, transformando o prazer de contemplar em uma forma de aprendizado e autoconhecimento.

Ensinando a Experiência Estética através de Filme: O Filme

Resumo do Filme

Tyler é um jovem adotado e pobre. Ele e dois amigos invadem uma escola de artes “de riquinhos” e depreda o teatro. O segurança consegue capturar Tyler e ele é sentenciado a prestar serviços comunitários nessa mesma escola de artes.

Durante seu trabalho obrigatório, ele conhece a bailarina Nora e percebe que ela está tendo dificuldades em encontrar um parceiro de dança. Eles fazem um teste improvisado, veem que existiu um entrosamento e conseguem a autorização para ensaiarem juntos.

Curiosamente, eles são de estilos de dança diferente: ela é do balé clássico e dança moderna, e ele do hip-hop e dança de rua. Juntos, um aprende com o outro, um entende a dança do outro. A coreografia original é modificada para que elementos das duas danças apareça. A parceria extrapola a dança e o casal também começa a namorar.

Porém, coisas acontecem que provocam o fim do relacionamento amoroso e profissional deles: o antigo parceiro de Nora se recupera da sua lesão e pede para voltar, e Tyler começa a precisar de dinheiro e recorre a “esquemas das ruas” para isso.

No fim, ambos percebem que se tornaram melhores um com o outro e, na última hora, retornam a parceria e a apresentação é um sucesso.

Tyler decide entrar para a escola, agora como aluno. E o casal reata o relacionamento.

Exibição

A ideia é exibir o filme para os alunos durante a aula. Para isso, você pode contar com o uso do auditório ou TV Móvel.

Para saber qual streaming possui o filme, segue o link:

Infelizmente, não encontramos nenhum streaming para essa obra. 🙁
Source: JustWatch
 

Se quiser, também pode comprar o DVD ou Blu-ray.

Roteiro da Aula

  1. Apresente brevemente o filme. É uma forma de tentar garantir o foco dos alunos;
  2. Exiba o filme;
  3. Levante um debate livre sobre o filme. Pode-se discutir as diferenças de classes sociais, gostos musicais, as dificuldades dos relacionamentos amorosos, as dificuldades na amizade…;
  4. Apresente o conteúdo da aula relacionando-o com o filme.

Ensinando a Experiência Estética através de Filme: Relacionando o Filme com a Aula

Podemos observar que a relação de Tyler com o balé e dança moderna, e de Nora com o hip-hop e dança de rua ao longo do filme são personificações daquilo que se deve trabalhar nessa aula sobre a experiência estética.

Ambos os personagens, que vieram de contextos sociais diferentes, enxergaram a dança do outro com preconceito. Nunca se negou a habilidade artística do outro, mas se questionou se aquilo que era praticado pelo outro de fato era uma dança, uma arte autêntica.

Com o tempo, com a convivência e a aproximação, as barreiras foram diminuindo, a abertura emocional e sensitiva foi-se abrindo e cada um deles enxergou a dança e a arte do outro ao ponto de decidirem combiná-las para criar algo novo.

Para exemplos mais específicos e detalhados para se utilizar na aula, recomendo a leitura do meu texto: Reflexão sobre Ela Dança, Eu Danço: a Experiência Estética.

Ensinando a Experiência Estética através de Filme: Interdisciplinaridade

Essa aula pode ser dada com o professor de Artes ou de Dança.

Como o tema da aula é estética e o filme fala muito de dança, nada melhor do que o professor de Artes ou de Dança (caso a escola ofereça) para contribuir com seus conhecimentos específicos sobre os conceitos artísticos de ambos os estilos musicais e suas opiniões de como podemos aprimorar nossos gostos para esses estilos (ou até mesmo para qualquer outro tipo de arte).

Ensinando a Experiência Estética através de Filme: Conclusão

O filme Ela dança, eu danço costuma fazer sucesso em sala de aula. Ele é um filme leve, que consegue engajar os alunos na história e, por isso, serve bem ao propósito de servir de exemplo para a explicação do conteúdo filosófico.

E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema para uma aula de estética? Entra em contato comigo!

Até a próxima e tenham uma boa viagem!

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Professor de filosofia desde 2014 e nerd desde sempre. Tem como objetivo pessoal mostrar às pessoas que filosofia é importante e não é uma coisa chata. Gosta de falar dos temas filosóficos de forma descontraída e atual, fazendo muitas referências ao universo nerd.