Ensinando a Singularidade da Beleza através de Atividade: Exposição de Arte

Ensinando a Singularidade da Beleza através de Atividade: Exposição de Arte

Olá, marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando a singularidade da beleza através de uma atividade lúdica. A proposta é que os alunos sejam criativos e criem conceitos artísticos com coisas que eles irão trazer de suas casas, mais ou menos modificados, para fazer uma exposição de arte na sala de aula. A intenção é que os alunos compreendam na prática como o conceito de arte pode ser único se o artista der sentido para aquilo que ele fez.

Relembrando o Conceito

“Para a fenomenologia, o belo é uma qualidade de certos objetos singulares que nos são dados à percepção. O objeto é belo porque realiza sua finalidade, é autêntico, verdadeiramente segundo seu modo de ser, isto é, por ser um objeto singular, sensível, carrega um significado que só pode ser percebido na experiência estética. Cada objeto singular estabelece seu próprio tipo de beleza (ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2016).

Em outras palavras, a beleza de um objeto está na sua singularidade, na sua existência única, no seu sentido próprio. A beleza é percebida quando esse objeto consegue expressar aquilo que ele deseja expressar. Logo, não existiria um critério universal prévio que colocaria certos objetos de um lado como belos e certos objetos de outro como feios, como se fosse uma regra de separação do “joio do trigo”.

O objeto artístico deve ser olhado individualmente e analisado na sua “unicidade”. Se ele cumprir seu papel artístico, se ele “der o seu recado”, ele deve ser considerado belo. Se não conseguir, aí sim é considerado feio.

Ensinando a Singularidade da Beleza através de Atividade: Criando Arte

Apresentação

A proposta é que os alunos criem, mais ou menos de improviso, obras de arte singulares. A ideia é estimulá-los a serem artistas criativos e compreenderem as regras da singularidade da beleza.

Preparação

Na aula anterior, o professor deve pedir para os alunos trazerem para a aula itens aleatórios de suas casas que não sejam decorativos (podem ser itens de cozinha – como copos, talheres -, itens de quarto – como lençóis, cabides -, itens de banheiro – como escovas, pentes – etc.).

Vale a criatividade na escolha do item e não precisa exigir nem limitar o tamanho (vai se interessante se alguém trouxer coisas grandes, por exemplo).

O fato de o item não ser decorativo é para evitar que o foco da beleza seja na decoração em si, o que inviabiliza a proposta (por exemplo, se a pessoa trouxer uma boneca ou uma xícara com um desenho bonito, as pessoas podem se apegar à beleza da boneca ou desenho e não entender a proposta artística transformadora que o aluno dará aos objetos que trará).

Também não é para ser necessariamente uma unidade de item (por exemplo, um cabide) ou itens repetidos (por exemplo, três garfos) ou itens apenas de um local (por exemplo, levar só itens de banheiro). Peça aos alunos para serem criativos e trazerem o máximo possível de coisas variadas.

Também peça para eles trazerem materiais descartáveis para complementar as artes (por exemplo, retalhos de tecido, papel e jornal velho, garrafas PET ou latinhas).

Se eles puderem trazer colas e tesouras, é bom. Mas é importante que a escola também possa disponibilizar isso, especialmente pistola e tubos de cola quente para facilitar a montagens de estruturas criativas).

Execução

No dia da aula, o professor explicará que os alunos deverão criar uma arte com aquilo que eles levaram.

Explique o conceito de singularidade da beleza e apresente alguns exemplos da arte contemporânea para eles. Faça com que o aluno entenda que o mais importante para a beleza da criação artística dele é o conceito por trás da obra, o que ela quer expressar, o que ela quer dizer para as pessoas que irão contemplá-la.

Além disso, permita que os alunos compartilhem e troquem itens que eles trouxeram. Liberar a criatividade vai permitir que o resultado seja ainda melhor.

Estipule um tempo para os alunos pensarem e executarem suas criações. Deixe claro que a ideia não é alcançar a perfeição artística nesse momento e sim a compreensão da proposta estética do dia.

Exemplo ilustrativo para inspirar os alunos: Pega-se um prato de refeição e faz uma “cara triste” nele (dois pontinhos para os olhos e um semicírculo para fazer a boca triste) de caneta ou usando alguma coisa. Com dois garfos, duas facas ou duas colheres, coloca ambas cruzadas no topo do prato para simbolizar o cabelo. O nome da obra de arte é “Fome”. A descrição seria algo do tipo: “a obra de arte lembra que ainda existem muitas pessoas que passam fome do mundo. O prato e os talheres simbolizam uma pessoa triste porque tem fome, não tem o que comer”.

Exposição

No final da aula, os alunos irão expor suas obras de arte.

Um elemento obrigatório é um título para a obra. Um elemento opcional é uma descrição da obra, ou seja, o que ela representa, o que ela quer dizer. Isso facilita muito a compreensão da obra artística contemporânea, que é essa nossa proposta.

Existem duas formas de fazer a exposição. Em uma, todos os alunos ficam livres para conhecer as obras dos colegas; mas nesse caso, é preciso da descrição da obra para que se possa entender a proposta. A outra forma, é dividir a turma em grupos. Assim, alguns alunos ficam fixos em suas obras para explicar seu conceito artístico enquanto os outros circulam; depois, inverte-se o papel de tal forma que todos tenham um momento de explicação e momentos de apreciação estética.

Premiação

Crie uma urna e distribua uma cédula personalizada para cada aluno. Peça para os alunos escolherem uma obra de arte que não a deles e votarem. Deixe uma ou duas canetas perto da urna. A votação será através da escrita do nome da obra de arte na cédula.

Viabilizem algum prêmio para o vencedor. Pode ser até mesmo alguma arte criada pelo professor com materiais que não foram utilizados pelos alunos.

Ensinando a Singularidade da Beleza através de Atividade: Relacionando com a Matéria

A ideia, como já deve ter ficado claro, é que os alunos façam na prática aquilo que a fenomenologia disse que é a beleza da obra de arte.

A explicação da matéria já foi feita quando o professor passou a proposta. E a criação e exposição é a concretização da teoria, são os alunos mostrando que entenderam essa visão filosófica da arte e da beleza.

Ensinando a Singularidade da Beleza através de Atividade: Interdisciplinaridade

Essa aula pode ser dada junto com o professor de Artes.

A função dele será tanto de apresentar os conceitos de arte contemporânea com mais propriedade quanto assessorar os alunos na hora da criação artística deles.

Na falta de um professor, podemos passa esse breve vídeo para os alunos entenderem o conceito e valor da arte contemporânea:

Conclusão

Essa será uma aula desafiadora porque tirará o aluno da passividade e irá colocá-lo para “pôr a mão na massa”. Entretanto, creio que será uma das aulas mais gratificantes porque, funcionando, resultará em uma bela exposição de arte e apropriação do conteúdo pelos alunos.

E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema para uma aula de filosofia da arte? Entra em contato comigo!

Até a próxima e tenham uma boa viagem!

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Professor de filosofia desde 2014 e nerd desde sempre. Tem como objetivo pessoal mostrar às pessoas que filosofia é importante e não é uma coisa chata. Gosta de falar dos temas filosóficos de forma descontraída e atual, fazendo muitas referências ao universo nerd.