Olá, marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando a ética de Kant através do clássico jogo “Verdade ou Desafio”. A ética de Kant, conhecida como uma ética deontológica ou ética do dever, nos obriga a agir conforme a lei moral dada pela razão e isso inclui não mentir. Por isso, nessa aula, os alunos serão “obrigados” a falar a verdade ou sofrer consequências pelo seu silêncio. Vamos lá!
Relembrando o Conceito
A Ética de Kant é conhecida como uma ética deontológica ou ética do dever porque ela é uma ética que nos obriga a agir de um certo jeito.
A obrigação da ética kantiana parte da lei moral e essa lei moral é elaborada pela razão humana, a qual considera o ser humano como centro do universo (antropocentrismo).
Kant chama esse dever moral de imperativo categórico e estabelece três regras que resumem esse correto agir humano e que devem ser seguidas ao mesmo tempo, sem exceções:
I. Agir de tal forma que sua ação seja aceita como lei universal (ou seja, fazer somente aquilo que qualquer pessoa pudesse fazer, inclusive contra você);
II. Respeitar a humanidade como um fim em si mesma e não como meio (ou seja, todas as ações precisam respeitar os seres humanos e nunca um ser humano pode ser usado para se atingir um objetivo);
III. O que você for fazer deve ser aceito por você mesmo se julgasse a ação de fora (ou seja, não é certo você ter uma atitude que você mesmo reprovaria se visse alguém fazendo).
Agir seguindo esse princípio é agir eticamente, agir feriando alguma dessas regras é agir antieticamente.
Para uma explicação mais detalhada, recomendo a leitura do texto: Imperativo Categórico Descomplicado: Ética de Immanuel Kant.
Ensinando a Ética de Kant através de Jogo: Verdade ou Desafio
Apresentação
A proposta é os alunos jogarem o jogo “Verdade ou Desafio”, também chamado “Verdade ou Consequência”. Serão apresentados dois modos: o clássico, com a garrafa; e o jogo de tabuleiro.
O jogo virá primeiro e a explicação da aula no final.
Modo Clássico
O professor afastará as cadeiras e pedirá para os alunos sentarem no chão, em uma roda. Também podem ficar sentados nas cadeiras e só abrir um espaço no centro para girar a garrafa. Aí, fica a critério da turma ou do espaço.
A regra do jogo clássico é bem simples. Alguém roda a garrafa e quando ela parar, verifica-se para quem apontam os lados da garrafa: o fundo da garrafa aponta quem faz a pergunta e o bico da garrafa aponta quem deve responder.
Quem pergunta deve dizer “verdade ou desafio” ou “verdade ou consequência”. Quem responde precisa escolher. Se escolher “verdade”, ele deve responder sinceramente uma pergunta feita pelo seu interlocutor. Se escolher desafio/consequência, deve “pagar uma prenda/mico” também escolhido pelo seu interlocutor.
O jogo em si não tem fim e limites. Cabe ao professor moderar a brincadeira para que ela não se torne chata nem “fuja do controle” (com algumas perguntas ou desafios sendo motivo para bullying ou exposição demasiada, por exemplo).
Modo Jogo de Tabuleiro
Eu encontrei esse jogo de tabuleiro chamado Verdade ou Desafio?.
As regras dele também são simples:
1. Existe uma roleta que deve ser girada por cada jogador (um por vez):
Se sair “verdade”, a pessoa retira uma carta de verdade, lê e decide se responde ou não. Se responder, avança uma casa. Se não responder, volta duas casas.
Se sair “desafio”, a pessoa retira uma carta de desafio, lê e decide se cumpre ou não. Se cumprir, avança duas casas. Se não cumprir, volta três casas.
Se sair “parado”, a pessoa perde a vez.
2. Se, ao andar, você cair em uma casa escrita “desafio”, você deve realizar um desafio ou voltar duas casas (nesse caso, você não anda para frente ao cumprir o desafio).
3. Ganha quem chegar no final primeiro.
Como esse jogo só oferece quatro peões, caso o professor não tenha mais cópias do jogo, pode-se dividir a turma em quatro grupos iguais e a cada rodada joga um membro diferente do grupo ou pode-se criar peões extras para todos os alunos jogarem cada rodada.
Premiação
No modo clássico, quem participou respondendo ou perguntando pode ganhar uns pontos extras ou mimos (como doces).
No modo jogo de tabuleiro, quem participou pode ganhar uns pontos extras ou mimos (como doces), e quem vencer pode ganhar um pouco mais (pontos ou mimos).
Ensinando a Ética de Kant através de Jogo: Relacionando o Jogo com a Matéria
Retomando o conceito da ética de Kant, surge uma pergunta que tem relação com o jogo: mentir é certo ou errado? Para Kant, sempre é errado.
Segundo o filósofo, se aceitássemos a mentira como certa ou como relativa, criaríamos um problema social incontrolável porque não teríamos meios lógico-racionais de medir quando a mentira seria aceitável ou não.
Aceitar a mentira como possibilidade ética significa dizer que, em alguns casos, mentir pode ser considerado certo. Mas em quais casos? É impossível criar um critério que atenda concomitantemente a toda a humanidade. Haverá situações que uma pessoa pode defender uma mentira, mas outra pessoa não; situações em que a mentira pode beneficiar um e prejudicar outro.
Esse dilema do ato de mentir foi levantado por críticos de Kant na época com o seguinte exemplo: Se um assassino bate a minha porta e pergunta se lá dentro está uma pessoa que ele quer matar e essa pessoa de fato está lá dentro, não seria certo eu mentir e dizer que ela não está para salvar-lhe a vida?
Kant respondeu que não. Ele argumenta que mentir não garante necessariamente a salvação da pessoa. Ele explica que, por exemplo, ao escolher mentir e dizer que a pessoa não está lá, o assassino poderia ir embora e encontrar a vítima fugindo pela janela (o que provocaria o assassinato). Se você tivesse dito a verdade, o assassino entraria na casa e a vítima teria conseguido escapar.
Segundo Kant, o ato de falar a verdade ou mentir é uma ação; enquanto que o ato de assassinar alguém é outra ação. A minha ação de falar a verdade não pode ser considerada errada se ela acabar permitindo um assassinato. Da mesma forma, meu ato de mentir não se torna certo se a consequência for a salvação da vítima em potencial.
Com isso, voltamos ao jogo “Verdade ou Desafio” que te obriga a falar a verdade ou ser penalizado pela mentira ou omissão. O jogo quer a verdade a qualquer custo, não se importando se essa verdade é boa ou ruim.
É algo polêmico e complicado? Sim, mas é o entendimento do filósofo e o que torna o jogo legal. Nesse tipo de jogo, ninguém quer revelar suas verdades, mas todos querem ver os demais jogadores revelando as suas verdades. O desafio serve como forma de “punição” para quem não se dispõe a falar a verdade, quem está agindo de forma antiética (segundo a filosofia de Kant).
Ensinando a Ética de Kant através de Jogo: Interdisciplinaridade
Esse jogo pode ser aplicado junto com qualquer outra disciplina.
A ideia, nesse caso, é que o desafio seja a resolução de algum problema ou tarefa da outra disciplina.
Por exemplo, se a pessoa escolher desafio, ela terá que resolver um problema matemático, ler em voz alta um poema parnasiano ou fazer uma pesquisa rápida e explicar para a turma algum conceito científico.
Conclusão
O conceito do imperativo categórico não é muito simples de ser explicado e aceito pelas pessoas por causa do seu rigorismo moral. Porém, acredito que, com a dinamização da aula através do jogo “Verdade ou Desafio”, a compreensão será mais tranquila e poderá fazer mais sentido para os alunos.
E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outra teoria ética para uma aula lúdica? Entra em contato comigo!
Até a próxima e tenham uma boa viagem!
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