Olá, marujos! Hoje, mostrarei como você pode estar ensinando a epistemologia de Paul Feyerabend através de uma série chamada Lista Negra. Nessa proposta, os alunos verão um episódio dessa série, que mostra um cientista disposto a tudo para conduzir sua pesquisa, e, depois, refletirão sobre até onde vão os limites para a investigação científica. Vamos lá!
Relembrando o Conceito
Paul Feyerabend ficou famoso pelo seu livro Contra o método em que critica a dependência que a ciência criou do método científico e propõe um anarquismo teórico.
Basicamente, Feyerabend está dizendo que a ciência não pode se restringir a métodos científicos engessados. O avanço científico depende de ousadia, de experimentar novas formas de testar teorias e obter resultados.
Se, até então, a validade de uma formulação científica está condicionada a um teste dentro de um padrão pré-definido, pré-determinado; Feyerabend dirá que isso não é necessário.
Exigir uma comprovação científica seguindo um método pré-estabelecido pode limitar as descobertas possíveis. Logo, precisa-se permitir que o cientista faça investigações se utilizando de outros caminhos, contanto que estejam de acordo com os pressupostos do conhecimento científico (racional e com testes experimentais).
Ir contra o método não é negar qualquer método, mas negar a existência de um único método, uma única via para se chegar ao conhecimento científico. Muitas descobertas ocorreram na ciência quando o até então único método válido foi ignorado; logo, porque criar essa limitação agora?
Mesmo que uma teoria não esteja perfeitamente encaixada em uma metodologia científica, não significa que ela é inválida ou descartável. Poder ser que ela apenas não tem ainda o embasamento necessário para convencer a comunidade científica de forma inquestionável.
Sendo mais tolerante com as pesquisas científicas, Feyerabend acreditava que a ciência alcançaria resultados ainda melhores.
Para aprofundar o conceito, recomendo a leitura do texto: Contra o Método Descomplicado: Feyerabend e o Anarquismo Teórico.
Ensinando a Epistemologia de Paul Feyerabend através de Série: A Aula
Sobre a Série
Lista Negra (ou The Blacklist) aborda a estranha relação entre o criminoso mais procurado do FBI Raymond Reddington (James Spader) e uma jovem agente do FBI chamada Elizabeth Keen (Megan Boone).
Reddington se entregou voluntariamente e prometeu ser um informante contanto que a força-tarefa que lhe assessorasse tivesse a agente Keen. Keen não entende quais as intenções de Reddington, mas aceita essa aproximação porque quer pegar o máximo de criminosos possíveis.
Juntos, eles prendem os mais improváveis criminosos, bandidos que nem estavam no radar da polícia, mas que eram responsáveis por diversos crimes.
Sobre o Episódio A Iniciativa Longevidade (nº 97)
Nesse episódio, Reddington revela que um bilionário chamado Roger Hobbs está financiando uma pesquisa secreta para aumentar a longevidade humana. Quem conduz essa pesquisa é o Dr. Julian Powell, que utiliza células de uma espécie de água-viva em cobaias humanas para tentar emular sua capacidade regenerativa celular.
O problema dessa pesquisa, além de não estar em acordo com a legislação americana, é a quantidade absurda de óbitos que tem gerado. Sendo esse o fator que despertou a investigação inicialmente.
Seguindo as pistas, o FBI consegue neutralizar o Dr. Julian Powell, mas Roger Hobbs consegue escapar.
Exibição na Sala
A ideia é que o professor exiba o episódio A Iniciativa Longevidade (nº 97) da série Lista Negra para os alunos. Esse episódio é o episódio dezessete da segunda temporada.
Você encontra essa série no streaming Netflix ou meios “alternativos”. Para exibir, precisará de uma Smart TV ou Projetor + PC ou Notebook, e conexão com a Internet.
No Dia
Eu recomendo a exibição do episódio no começo da aula. Ele dura em torno de 40 minutos.
O episódio tem alguns trechos que não interessam à aula porque abordam temas gerais da série (relação entre a agente Keen e seu marido). Esses momentos podem ser avançados se desejar. Outra opção, é dar essa explicação antes da exibição para que os alunos entendam porque a trama principal do episódio é interrompida para falar de algo aparentemente aleatório.
Depois da exibição, o professor pode fazer um debate ético sobre a atitude do cientista: se fazer as pesquisas naquela situação são válidas ou não.
Reforce, no começo ou no meio do debate, os benefícios que essa pesquisa traria se os resultados fossem positivos. Pode-se apresentar dados de que existem 55 milhões de pessoas com algum tipo de demência e 10 milhões de pessoas com Parkinson. A ideia aqui é ver se a sensibilização mudaria a opinião das pessoas acerca da atitude do Dr. Julian Powell.
Após o debate, o professor apresenta a teoria filosófica de Paul Feyerabend.
Ensinando a Epistemologia de Paul Feyerabend através de Série: Relacionando o Episódio com a Matéria
A discussão que realmente interessa aqui é a tentativa de achar uma cura para as doenças neurodegenerativas a qualquer custo.
O médico da série se aproveita do interesse pela imortalidade do seu patrocinador para encontrar a cura para sua esposa e que, consequentemente, beneficiará muitas pessoas.
Como essas doenças vão progredindo com o tempo e se tornando mais agressivas, Powell não tinha tempo a perder e ignora toda a metodologia tradicional de pesquisa médica para tentar resolver seu problema mais rapidamente.
Um olhar externo pode e tem todo o direito de criticar essa pesquisa porque, como ficou evidente na série, levou diversas pessoas ao óbito sem resultados. Mas e se tivesse resultados, eles seriam ignorados porque o método empregado foi antiético? Com certeza, não.
Obviamente, aqui temos uma situação limite que mexe diretamente com vidas humanas. Porém, é um interessante ponto de partida para reflexões sobre as dificuldades que muitos cientistas têm de avançar com seus estudos. No caso da série, o problema estava nas etapas que ele deveria seguir para progredir, as quais ele quis pular logo. Mas em outros casos, poderia ser a forma como se buscam ou se registram os resultados.
A ideia não é defender maluco, mas ter um olhar mais crítico para a situação, entendendo que a busca pela verdade científica pode passar por diferentes caminhos e que, de modo geral, todos os cientistas só querem a mesma coisa: encontrar a verdade sobre seus estudos e melhorar o mundo.
Ensinando a Epistemologia de Paul Feyerabend através de Série: Interdisciplinaridade
Essa aula pode ser dada com os professores de Ciências ou Biologia.
O professor de Ciências ou Biologia pode trabalhar o conceito de método científico, o processo de degeneração cerebral e o xenotransplante (que é a utilização de células animais em tratamentos médicos de humanos).
Ensinando a Epistemologia de Paul Feyerabend através de Série: Conclusão
Essa é uma aula muito tranquila de ser dada porque envolve algo que os alunos gostam (vídeo), não demora muito (porque é um episódio só) e tem ação (já que é uma investigação policial). O debate que se pode fazer é bem legal também porque desperta bastante discussão e vai estimular a reflexão dos alunos.
E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema de epistemologia para uma aula lúdica? Entra em contato comigo!
Até a próxima e tenham uma boa viagem!
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