Olá, marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando os Paradigmas de Kuhn através de um vídeo animação de Galileu Galilei. Esse vídeo, além de apresentar um importante cientista da humanidade, também serve para ilustrar a teoria do filósofo Thomas Kuhn sobre o modo como a ciência avança na humanidade. A proposta é ver o vídeo, debater sobre a história de Galileu Galilei e entender, com ela, como a comunidade científica funciona. Vamos lá!
Relembrando o Conceito
Thomas Kuhn afirmou que a ciência avança conforme ocorrem mudanças de paradigmas. Paradigma seria uma espécie de “estado das coisas” que envolve tanto o que a comunidade científica entende como um tema pacificado quanto a forma como o resto da sociedade entende a “normalidade” científica de algum assunto.
Para o filósofo, as etapas de o avanço científico seguem a seguinte ordem de momentos:
Período Pré-paradigmático (ou Imaturo): quando existe um problema a ser resolvido e não existe ainda consenso na comunidade científica sobre como resolvê-lo;
Ciência Normal: quando uma solução é encontrada e estabelecida como resposta ao problema científico. É nesse momento que surge o paradigma;
Crise: quando surge um novo problema da mesma espécie e a solução existente não resolve mais esse novo problema;
Revolução Científica / Mudança de Paradigma: quando se descobre uma nova solução, que resolve tanto o problema anterior quanto o novo problema. Nesse momento, surge um novo paradigma.
Como podem perceber, para Kuhn, a ciência não é um acúmulo linear de conhecimentos sobrepostos, mas um trabalho que envolve abandonar antigos conhecimentos que se provaram equivocados ou obsoletos em prol de novos conhecimentos adquiridos.
Para entender com mais profundidade esse assunto, recomendo a leitura do texto: Paradigma para Kuhn Descomplicado.
Ensinando Paradigmas de Kuhn através de Vídeo: A Aula
Sobre o Vídeo
Esse vídeo é um episódio da série animada Os Grandes Personagens da História de 1991. Usarei o episódio sobre Galileu Galilei. Galileu foi um cientista que ficou famoso pela sua defesa do Heliocentrismo, mudando a forma como a ciência e a sociedade entendiam a astronomia da época.
O vídeo conta trechos da vida do cientista tentando defender sua teoria, até mesmo comprovando-a com experimentos, mas não conseguindo convencer a Igreja (autoridade moral e secular da época) e outros colegas cientistas.
O vídeo termina mostrando as contribuições que ele deixou para a física e para a astronomia, bem como para o pensamento científico.
Segue o vídeo no YouTube (não achei com melhor qualidade):
Aplicação em Sala
Para passar o vídeo, você precisará de uma TV ou Computador com o acesso à Internet e ao YouTube. Se sua escola não tiver Internet, pode baixar o vídeo e passá-lo com o auxílio de um pendrive.
A ideia é passar o vídeo logo no começo da aula. Depois da exibição, é interessante que haja um debate com a turma sobre a história de Galileu, sobre os problemas pelos quais ele passou, e sobre sua importância para a história da humanidade.
Ensinando Paradigmas de Kuhn através de Vídeo: Relacionando o Vídeo com a Matéria
A escolha desse vídeo não foi aleatória. O próprio Thomas Kuhn usa Galileu e o heliocentrismo como exemplo da sua teoria.
A proposta é que o professor explique as etapas da evolução científica usando o exemplo de Galileu e o heliocentrismo para ilustrar como a teoria filosófica de Kuhn está certa.
Elaborei um esquema com o auxílio do ChatGPT sobre a evolução científica desse processo astronômico para o professor trabalhar nessa aula:
🔹 Período Pré-paradigmático (pluralidade de modelos)
Séc. IV a.C. – III a.C.
Vários modelos competindo, sem consenso consolidado:
Eudoxo de Cnido: modelo das esferas homocêntricas;
Aristóteles: cosmos finito, geocêntrico, esferas cristalinas;
Aristarco de Samos: primeiro modelo heliocêntrico;
Epicuro e atomistas: múltiplos mundos, cosmos infinito.
🔹 Consolidação de um Paradigma (Ciência Normal)
Séc. II d.C. – Cláudio Ptolomeu
Almagesto: modelo geocêntrico matemático, baseado em deferentes e epiciclos.
Permitia previsões mais precisas dos movimentos planetários. Torna-se o paradigma dominante por mais de 1000 anos.
🔹 Crise do Paradigma
Século XV – XVI
Observações começam a mostrar problemas no modelo ptolomaico.
Erros acumulados nas previsões.
Questionamentos vindos de novas observações e instrumentos.
🔹 Revolução Científica (Mudança de Paradigma)
1543 – Copérnico: propõe o heliocentrismo (De revolutionibus).
Kepler (1609–1619): órbitas elípticas, leis do movimento planetário.
Galileu (1610): telescópio, observações que contradizem o geocentrismo (satélites de Júpiter, fases de Vênus).
Newton (1687): Principia, consolidação da visão mecanicista e heliocêntrica.
Estabelece-se o novo paradigma heliocêntrico.
Reparem que a história “real” é bem mais complexa do que a mostrada no vídeo. Por isso, o professor também pode simplificar o texto acima para facilitar sua aula (até porque esse texto contém vários conceitos mais específicos da astronomia que eu não entendo e imagino que você também não…).
Ensinando Paradigmas de Kuhn através de Vídeo: Interdisciplinaridade
Essa aula pode ser dada junto com o professor de Ciências ou de Física, e do professor de História.
A parte mais técnica dos modelos astronômicos pode ficar a cargo do professor de Ciências ou Física. Esses professores também podem falar da importância do método científico.
Já o professor de História pode contribuir com os acontecimentos históricos daquela época, especialmente a relação entre Igreja e Estado que permeia todo o problema de Galileu.
Ensinando Paradigmas de Kuhn através de Vídeo: Conclusão
Essa é uma aula fácil de ser aplicada porque exige algo que, atualmente, praticamente todas as escolas possuem (uma forma de reproduzir vídeo e acesso à Internet). A única dificuldade na aplicação dessa aula pode ser o interesse dos alunos no vídeo porque ele não é curto (tem 27 minutos), é antigo, não está em uma qualidade muito boa e não tem legenda. O professor, provavelmente, precisará de um pulso mais firme para garantir a atenção dos alunos (talvez, passando um questionário sobre o vídeo para ser respondido em aula).
E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema de epistemologia para uma aula lúdica? Entra em contato comigo!
Até a próxima e tenham uma boa viagem!
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