Olá, marujos! Hoje, faremos uma reflexão sobre o filme Mickey 17. Nessa produção futurística, a tecnologia consegue literalmente imprimir novos corpos de pessoas e isso é usado para “reciclar” o personagem Mickey, o qual é usado como cobaia de experimentos e testes até a morte, várias e várias vezes. Na reflexão, trabalharei a ideia por trás do filme, se somos ou não pessoas descartáveis. Não teremos spoilers importantes do filme. Vamos lá!
Sobre o Filme (SEM Spoilers)
Mickey 17 é um filme de 2025 escrito, produzido e dirigido por Bong Joon Ho (o diretor do ganhador do Oscar Parasita). O filme foi bem recebido pela crítica por utilizar um ambiente futurista de ficção científica com uma pegada de humor negro para fazer uma crítica social atual. Ele está disponível na HBO Max.
Mickey (Robert Pattinson) é um humano que aceitou ir para uma missão espacial na função de descartável. Descartáveis são pessoas que aceitam se submeter a testes clínicos ou enfrentar situações adversas em planetas hostis como forma de estudo científico. Normalmente, essas pessoas morrem durante essas missões e, por isso, é utilizado nelas um processo de “reimpressão”, em que a pessoa volta em um novo corpo guardando todas as memórias que ela tinha até o momento exato da morte do antigo corpo.
Mickey estava na sua versão 17 quando vai até um planeta gelado fazer uma dessas missões de reconhecimento. Ele cai em um buraco, seu equipamento se quebra e é deixado lá para morrer pela equipe que o acompanhava. Só que ele sobrevive e, depois de uns percalços, consegue voltar para a nave. O que ele não imaginava é que a administração já tinha impresso a versão 18 dele porque tinha pressa de utilizá-lo para outra missão.
Agora, existem duas versões de Mickey e, segundo as regras, uma delas precisa ser eliminada. Porém, as duas se consideram o verdadeiro Mickey e defendem a sua permanência. Se não bastasse esse problema literalmente existencial, a nave inteira começa a ser atacada por alienígenas e todos precisam dar um jeito de se protegerem já que ninguém quer morrer!
Como os dois Mickey chegarão em um acordo? Será que toda a nave sucumbirá ao ataque extraterrestre? Descubra, vendo Mickey 17 na HBO Max.
Reflexão sobre Mickey 17: Sim, Somos Todos Descartáveis!
Sartre já dizia que nascemos nada, que nossa vida não tem propósito em si e nem existe nada após a morte. Logo, nossa existência e importância nesse mundo depende daquilo que fazemos nele.
Se pararmos para pensar friamente, qualquer um de nós é descartável. É só ver quantas pessoas morrem por dia e nós não ligamos. Da mesma forma, nós morreremos um dia e a grande maioria da população humana ignorará isso.
No filme, vemos como Kenneth Marshall (Mark Ruffalo) – o político responsável pela colônia – e os cientistas locais desprezam a vida dos descartáveis, expondo-os sem dó a sofrimentos terríveis. Marshall é uma referência ao modo como os políticos tratam o povo, vendo-o só como números e não como pessoas. Já os cientistas representam a busca pelo conhecimento e lucro acima da ética, expondo os profissionais que ignoram o bem-estar das suas “cobaias” para alcançarem seus objetivos.
Até mesmo para nossa família e amigos, nós seremos descartados um dia ou até já fomos. É só pensar em quantas pessoas da sua família e amigos as quais você era próximo no passado hoje já não fazem parte da sua convivência e você nem faz questão de chamar para algum evento importante e nem eles pensam em te chamar para eventos importantes deles. Assim como já aconteceu no passado, acontecerá no futuro.
Não pense que você é muito importante porque não é. No máximo, você é útil para algumas pessoas e sua importância está vinculada a essa utilidade. No dia que deixar de ser útil, você será descartado assim como você mesmo já descartou outras pessoas do seu círculo de relacionamento.
Se você não quer ser um descartável, faça por merecer sua importância. Isso vale tanto no campo político-social, quanto no campo familiar-afetivo. Esse é um pensamento pragmático? Sim! Mas qual o problema? É você quem quer ser lembrado pelos outros, certo?
Reflexão sobre Mickey 17: Não, Não Somos Todos Descartáveis!
É muito curioso que no filme, quem deu o exemplo de que todos são importantes independentemente de qualquer coisa, foram os alienígenas. Foram eles que se juntaram para atacar a nave para resgatar o indivíduo capturado. Milhares se mobilizando e se colocando em risco por causa de apenas um. É o exemplo daquele discurso “ninguém larga a mão de ninguém” e “todas as vidas importam”.
O objetivo do diretor do filme foi claro: mostrar que nós, seres humanos, estamos tratando nossos semelhantes como descartáveis e precisamos aprender ou reaprender a valorizar a existência das outras pessoas, independentemente da utilidade delas para nós.
O engraçado é que isso era para ser algo óbvio, mas como mostrei na sessão anterior, não é bem assim que as coisas são. E, se olharmos para nossa história, podemos ver que esse problema praticamente sempre existiu. Exemplos como escravidão, feudalismo e genocídio são só alguns dos mais gritantes para apontar o desprezo que uma parcela da humanidade teve com outra.
Talvez, se existe alguma diferença do passado para agora é que os descartáveis atuais podem ter mais voz do que antes. Seja porque se está descartando pessoas que têm algum tipo de presença social, seja porque as mídias ajudam a difundir em maior quantidade e profundidade esses problemas.
Porém, ainda assim é muito pouco e, diariamente, morrem pessoas em guerras sem sentido, problemas de saúde evitáveis, violências desnecessárias. Isso pensando em um aspecto macroscópico da sociedade.
Se olharmos para o campo microscópico, podemos pensar o que estamos fazendo para evitar o descarte de pessoas próximas de nós. Estamos dando o devido valor e atenção aos nossos filhos, pais ou avós? Estamos cuidando da nossa saúde e da saúde deles? Estamos fazendo a correta manutenção das nossas amizades? Estamos dizendo “eu te amo” para nosso(a) companheiro(a) com a frequência devida? São pequenos e médios gestos que fazem o outro não se sentir um descartável e até mesmo nos ajuda, por tabela, a não sermos descartados pelos outros…
Se você não quer ser descartado, não descarte o outro!
Conclusão
Por mais óbvia que a mensagem do filme possa ser, ela ainda precisa ser dita para despertar nas pessoas um senso de urgência no modo como nos tratamos e tratamos os outros como descartáveis. Que nós e aqueles que possuem cargos de governança ou autoridade sobre outros pensem nisso na hora de agirem.
E aí? Curtiu essa reflexão sobre Mickey 17? Compartilha! Tem algo a acrescentar a essa reflexão sobre Mickey 17? Comenta! Quer uma reflexão sobre outro filme de Bong Joon Ho? Entra em contato!
Até a próxima e tenham uma boa viagem!
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