Ensinando a Política de Santo Agostinho através de Jogo: Xadrez

Ensinando a Política de Santo Agostinho através de Jogo: Xadrez

Olá, marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando a política de Santo Agostinho através de um jogo bem famoso: o xadrez. A proposta é que os alunos experimentem uma partida atípica de xadrez, a qual representará o confronto entre as duas cidades citadas por Agostinho na sua obra Cidade de Deus e, com isso, possam compreender a teoria política do santo. Vamos lá!

Relembrando o Conceito

Santo Agostinho escreveu seu livro Cidade de Deus como resposta às críticas que os cristãos estavam recebendo dos romanos da época.

O Império Romano estava em decadência e tentavam culpar os cristãos por isso, porque a mudança de religião teria desagradado aos deuses, os quais os abandonaram.

Santo Agostinho irá argumentar que o problema todo é culpa dos próprios romanos, os quais, por serem maus e egoístas, permitiram que a sociedade romana se corrompesse ao ponto de se desestabilizar totalmente interna e externamente.

Além disso, o bispo de Hipona ainda dirá que, se a sociedade romana vivesse plenamente os valores cristãos, aquela sociedade estaria vivendo exatamente o oposto do que estava acontecendo. Os cristão, por serem bons e generosos, fariam com que a sociedade prosperasse e alcançasse a felicidade e bem-estar social.

Todo esse pensamento é ilustrado pela existência de duas cidades totalmente opostas: a cidade dos homens (ou cidade terrestre) e a cidade de Deus (ou cidade celeste).

Para saber mais sobre o assunto, recomendo o texto: Política de Santo Agostinho Descomplicada: Cidade de Deus.

Ensinando a Política de Santo Agostinho através de Jogo: Jogando um Xadrez Diferente

Apresentação

Quem já viu um tabuleiro de xadrez e conhece o mínimo do jogo sabe que ele é composto por dois lados, um branco e um preto, que representam exércitos ou, em última instância, reinos.

Essa ideia me inspirou a tentar criar um confronto entre os dois lados que representasse a disputa entre as cidades terrestre e celeste da obra agostiniana.

Para minha ideia funcionar, foi preciso fazer umas alterações nas regras para tentar alcançar o objetivo proposto.

Regras Oficiais

Não acho pertinente descrever todas as regras, movimentos e peças aqui. Por isso, vou deixar um vídeo explicando isso para quem não sabe:

 

Modificações

O objetivo continua o mesmo: capturar o rei adversário. Os movimentos das peças também será o mesmo.

Além disso, o jogador que escolher as brancas (que representarão a cidade celeste) vai jogar normalmente, seguindo as regras oficiais.

A mudança estará no lado do jogador das peças pretas (que representará a cidade terrestre). Ele terá duas grandes limitações:

  1. Jogará sem os bispos (já que a cidade terrestre não teme a Deus e não segue a religião cristã);
  2. Só poderá mover os peões até todos serem capturados os impossibilitados de movimento (já que a cidade terrestre despreza os plebeus, os mais pobres, os mais inferiores).

Jogando

  1. O professor vai montar o jogo de xadrez no meio da sala e convidar dois alunos para jogarem;
  2. O professor explica que quem jogar com as brancas e ganhar, levará 1,0 ponto extra; e quem jogar com as pretas e ganhar, levará 3,0 pontos extras (as pontuações ou outro tipo de prêmio podem ser diferentes, mas é importante ter essa discrepância para incentivar o mais ganancioso a escolher o lado preto);
  3. Depois que os alunos fizerem suas escolhas e se posicionarem, o professor vai apresentar o tema da aula e explicar que Santo Agostinho ilustra o seu pensamento através do combate entre duas cidades;
  4. Se os alunos não sabem como é uma partida de xadrez, essa é a hora de explicar as regras, peças e movimentos;
  5. Daí, o professor vai explicar que o lado branco representa a cidade celeste e jogará seguindo as regras padrão e o jogador do lado preto jogará com as modificações (sem bispos e apenas movendo os peões inicialmente). Explique o que simboliza essas modificações;
  6. Provavelmente, o aluno que ficou com as pretas vai reclamar e essa é a intenção. Nesse momento, o professor já pode destacar a ganância dele em querer os pontos a mais (se foi ele quem escolheu as pretas, obviamente);
  7. Inicia-se a partida pelas brancas e aguardamos o seu desfecho. Espera-se que as brancas vençam para que o professor possa seguir dessa vitória com a explicação.
  8. A branca ganhando, dê a mesma pontuação ou prêmio para o lado preto como incentivo à participação; se o lado preto ganhar, ele deve receber o prêmio prometido e pode-se dar o ponto ou prêmio que tinha sido prometido ao branco pela participação dele.

Observações

Quando eu tive essa ideia e apresentei para alguns entusiastas dos jogos de tabuleiro, eles não gostaram da proposta porque eu criei um jogo propositalmente desequilibrado e favorável para um lado, o que vai contra a proposta de um jogo.

Além disso, mesmo criando esse desequilíbrio, ainda assim pode acontecer das pretas ganharem, o que torna a dinâmica ainda pior porque fica parecendo que o lado errado venceu, indo contra a proposta filosófica a ser apresentada.

Eu estou ciente desses problemas e tentei muito pensar em uma solução, mas não consegui. Eu simplesmente aceito que vou propositalmente prejudicar um lado e, se os pretos ganharem, eu faço uma piada do tipo “Pô, você estragou minha dinâmica!”.

Dessa forma, se você acha que esses dois problemas tornam a proposta ruim, não aconselho usar essa minha ideia. Ou agradeceria muito se você pensasse em algo que pudéssemos fazer para corrigir um ou os dois problemas.

Ensinando a Política de Santo Agostinho através de Jogo: Relacionando com a Matéria

Após o jogo, o professor irá dar o contexto histórico da obra agostiniana e explicar com mais detalhes o que seria a cidade terrestre (representada pelas peças pretas) e o que seria a cidade celeste (representada pelas peças brancas).

O professor recordaria as modificações feitas no lado das peças pretas: retirada do bispo porque não é cristã; e “sacrifício” dos peões porque não respeita os mais vulneráveis.

Como eu já disse anteriormente, a ideia é simbolizar o confronto entre as cidades celeste e terrestre, com a vitória da cidade celeste no final.

O professor pode conversar com o jogador das peças pretas sobre a experiência de jogar sem bispo e com a limitação dos peões, para que ele expresse a dificuldade que foi. Essa dificuldade do jogo pode servir para o professor falar sobre a dificuldade de governo e prosperidade de uma sociedade sem Deus e que desrespeita os mais vulneráveis (na visão de Santo Agostinho).

Ensinando a Política de Santo Agostinho através de Jogo: Interdisciplinaridade

Essa aula pode ser dada junto com o professor de Educação Física.

Sendo o xadrez um esporte, o professor de Educação Física pode fazer a intervenção inicial, ensinando todos a jogarem xadrez; explicando, inclusive, os benefícios dessa prática.

Conclusão

Essa é uma aula simples de ser dada, mas eu sinto que falta algo na estratégia dela para ficar perfeita (por causa do desbalanceamento intencional e chance de vitória das pretas). Mesmo assim, na ausência de algo melhor, ainda considero que ela funciona bem porque os alunos mesmos não questionam esses problemas, aceitando que faz parte da brincadeira.

E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema de filosofia política para uma aula lúdica? Entra em contato comigo!

Até a próxima e tenham uma boa viagem!

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Professor de filosofia desde 2014 e nerd desde sempre. Tem como objetivo pessoal mostrar às pessoas que filosofia é importante e não é uma coisa chata. Gosta de falar dos temas filosóficos de forma descontraída e atual, fazendo muitas referências ao universo nerd.