Olá, marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando o ceticismo ético através de uma dinâmica em que os alunos irão julgar atitudes comuns de seu dia a dia. A proposta é gerar um debate sobre as respostas e que os alunos reflitam se é certo, errado ou indiferente julgarmos aquilo que os outros fazem. Vamos lá!
Relembrando o Conceito
O ceticismo foi proposto por Pirro de Élis durante o período helenístico (quando a Grécia era colônia da Macedônia).
Pirro era soldado do império macedônico e, por isso, viajou por muitos lugares. Por esse motivo, ele teve contato com muitas culturas, as quais tinham diferentes valores morais.
O soldado entendeu que não existe verdade absoluta. Quando isso é aplicado aos costumes, define-se que não existem modos absolutos de se viver a vida, que as regras e costumes são construções sociais e escolhas individuais.
Pirro propôs a epoché, a suspensão do julgamento. Em outras palavras, parar de julgar as atitudes e escolhas dos outros.
Segundo o filósofo, ficamos incomodados pela forma como os outros agem e isso nos perturba, tira nossa felicidade. Porém, fazer isso não tem sentido porque a vida é do outro, são valores e costumes de outra pessoa e isso nada tem relação conosco.
Nós nos tornamos infelizes por julgar a vida dos outros sendo que não temos esse direito nem essa necessidade. Logo, para sermos felizes, precisamos deixar de vigiar a vida alheia e cuidar apenas de nossas vidas!
Se quiser compreender o ceticismo ético com mais detalhes, recomendo a leitura do texto: Ceticismo Descomplicado: Filosofia Helenística.
Ensinando o Ceticismo Ético através de Dinâmica: Julgando a Vida Alheia
Apresentação
A proposta da dinâmica é ler diversas frases que representam atitudes típicas de adolescentes em idade escolar (apesar de muitas delas poderem ser compreendidas por crianças ou adultos) e pedir para cada aluno julgar essa atitude. Se ele acha certo ou errado agir daquele jeito.
Frases
Eu não criei essas frases, pedi ajuda ao ChatGPT e gostei do resultado. São 50 exemplos. Seguem:
Um aluno cola na prova porque precisa da nota para não repetir de ano.
Uma pessoa mente para um amigo para evitar magoá-lo.
Alguém grava uma briga e posta nas redes sociais.
Um professor ignora um aluno que sempre atrapalha a aula.
Uma pessoa pega algo pequeno de uma loja sem pagar porque a empresa é muito rica.
Um amigo lê as mensagens do celular do outro sem permissão.
Uma pessoa espalha um boato sem ter certeza se é verdadeiro.
Um aluno não ajuda no trabalho em grupo e deixa os outros fazerem tudo.
Um funcionário chega atrasado todos os dias, mas trabalha muito bem.
Um médico decide mentir para um paciente muito doente para não tirar sua esperança.
Uma pessoa filma alguém passando vergonha e envia para um grupo de WhatsApp.
Um aluno usa inteligência artificial para fazer um trabalho escolar.
Um amigo revela um segredo porque acha que é para o bem da pessoa.
Uma pessoa deixa de ajudar alguém em perigo porque não quer se envolver.
Um aluno responde com ironia a um professor que foi injusto.
Uma pessoa julga alguém pela forma de se vestir.
Um aluno dorme na aula porque trabalhou a noite inteira.
Uma pessoa cancela um compromisso de última hora sem explicar o motivo.
Um influenciador divulga um produto que nunca usou.
Um motorista ultrapassa o limite de velocidade porque está atrasado.
Uma pessoa conta uma mentira pequena para evitar uma discussão.
Um aluno grava a aula sem avisar o professor.
Um amigo critica outro em público para “lhe dar uma lição”.
Uma pessoa ignora um morador de rua que pede ajuda.
Um aluno usa o celular escondido durante a aula.
Uma pessoa finge concordar com alguém para evitar conflito.
Um funcionário leva material do trabalho para casa.
Um amigo não responde mensagens por vários dias.
Uma pessoa julga alguém apenas por um comentário na internet.
Um aluno acusa outro sem ter provas.
Uma pessoa fotografa desconhecidos na rua e publica nas redes.
Um aluno usa a ideia de outro colega sem dar crédito.
Um amigo cancela um plano porque apareceu algo “melhor”.
Uma pessoa ajuda alguém esperando receber algo em troca.
Um aluno faz uma piada ofensiva dizendo que é “só brincadeira”.
Um amigo conta algo íntimo de outro para fazer rir.
Uma pessoa desiste de um compromisso porque não está com vontade.
Um aluno critica o trabalho de um colega de forma dura.
Uma pessoa compartilha uma notícia sem verificar se é verdadeira.
Um amigo deixa de defender outro para não se comprometer.
Uma pessoa julga alguém sem conhecer sua história.
Um aluno não fez o trabalho e pede para copiar a resposta do amigo minutos antes da aula.
Uma pessoa grava uma conversa sem avisar.
Um amigo diz uma verdade dura que pode machucar.
Uma pessoa decide não tomar partido em uma briga entre amigos.
Um aluno entrega um trabalho feito pela internet como se fosse dele.
Uma pessoa ignora uma mensagem porque não quer conversar.
Um amigo ri de alguém que caiu na rua.
Uma pessoa critica alguém publicamente nas redes sociais.
Um aluno se recusa a opinar em uma discussão polêmica.
Execução
- Explique que você irá ler “coisas que alguém faria” e é para cada aluno julgar essa atitude;
- Escolha o aluno e leia a atitude;
- Peça para ele julgar se aquilo é certo ou errado. Exija uma justificativa;
- Se quiser incrementar, pode pedir para ele julgar de duas formas: uma, se ele ver alguém fazendo; outra, se for ele mesmo a ter aquela atitude;
- Se quiser polemizar mais, pode pedir para outros alunos se manifestarem a favor ou contra (tanto à atitude quanto à opinião do aluno);
- Repita os passos até todos os alunos falarem ou acabarem as frases.
Variação
Se quiser deixar as coisas ainda mais intensas, você pode substituir as frases prontas por frases criadas pelos próprios alunos.
Nesse caso, peça para cada um escrever em um pedacinho de papel alguma atitude polêmica que essa pessoa já fez (por exemplo, “roubar” a namorada do amigo), dobrar e colocar em uma sacola (fornecida pelo professor).
Daí, o professor repete a execução da dinâmica, mas usando esses casos reais.
Ensinando o Ceticismo Ético através de Dinâmica: Relacionando a Dinâmica com a Matéria
A ideia é dar uma “lição de moral” nos alunos.
Comece dizendo que é muito fácil julgar as ações dos outros. Porém, quando somos nós que estamos naquela situação, nem sempre é fácil tomar uma decisão e, mesmo que seja fácil, não gostaríamos que os outros ficassem julgando nossas escolhas.
Depois, complemente que, se pararmos para pensar, cada um tem sua própria vida e sua realidade. Já temos problemas demais para lidar para gastarmos ainda mais energia julgando as ações dos outros.
Nessa hora, apresente o ceticismo ético e mostre como Pirro compreendeu que nos preocupar com a vida dos outros nos traz infelicidade e como poderemos ser mais felizes se pararmos com essas ações.
Deixe claro que isso não é uma proibição para ajudar uma pessoa a ser melhor ou deixar de emitir sua opinião se for questionado. Aqui, a questão é mais o julgamento externo puro e simples, feito só pelo prazer de “falar mal do outro” ou querer “pagar de bom samaritano”.
Ensinando o Ceticismo Ético através de Dinâmica: Interdisciplinaridade
Essa aula pode ser dada em conjunto com alguma disciplina que trabalhe ética, como Projeto de Vida ou Escola da Inteligência, ou com a Orientação Educacional / Psicólogo Escolar.
O professor dessas disciplinas ou funcionário nesses cargos podem contribuir para o debate explicando o problema de julgar os outros, de como isso nos afeta negativamente e também afeta negativamente a pessoa julgada.
Conclusão
Essa é uma dinâmica simples de ser feita e que vai causar bastante debate em sala. Além disso, o ensinamento desse conteúdo dessa forma vai além do aprendizado acadêmico, se estendendo para as relações sociais desses alunos. Acho que essa proposta será bem-vinda e interessante de ser executada.
E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema para uma aula de ética? Entra em contato comigo!
Até a próxima e tenham uma boa viagem!
———————————————————————————————
APOIE NOSSAS VIAGENS!
Faça um PIX de APENAS R$0,10 (dez centavos)

Chave PIX: contato@naudosloucos.com.br
———————————————————————————————
