Reflexão sobre Guerreiras do K-Pop: Sendo Você Mesma!

Reflexão sobre Guerreiras do K-Pop: Sendo Você Mesma!

Olá, marujos! Hoje, faremos uma reflexão sobre o filme Guerreiras do K-Pop. Nessa animação, descobrimos que, de tempos em tempos, jovens meninas são escolhidas para manter nosso mundo protegido dos demônios usando suas vozes para criar uma barreira mística. Na reflexão, abordarei as dificuldades de alguns personagens serem quem são por se sentirem presos em papéis a desempenharem para os outros. Teremos spoilers do filme! Vamos lá!

Sobre o Filme (COM Spoilers)

Guerreiras do K-Pop é uma filme animação, no estilo fantasia musical, que estreou na Netflix em 2025 e se tornou a maior sensação mundial desse ano.

Nesse universo, existe o mundo dos demônios, os quais querem vir para o nosso mundo roubar as almas humanas para alimentar o rei-demônio. O que separa nosso mundo do mundo dos demônios é uma barreira mágica chamada Honmoon. Essa barreira é fortalecida pela música e, de tempos em tempos, grupos de três jovens são escolhidas para manter essa barreira fortalecida cantando e fazendo o público cantar junto com elas.

Nos dias atuais, temos três jovens que formam um grupo de K-pop chamado Huntrix: Rumi, Mira e Zoey. Elas conseguiram tanto sucesso que estão quase criando o Honmoon Dourado: uma barreira permanente. Porém, enquanto isso não acontece, de tempos em tempos, alguns demônios escapam e elas precisam caçá-los.

Do outro lado, um grupo de cinco demônios mais espertos surge com um plano: combater a Huntrix usando a mesma arma da música. Assim, eles criam o Saja Boys e começam a roubar os fãs da Huntrix, enfraquecendo a barreira.

No meio de toda essa confusão, descobrimos um segredo sombrio de Rumi, a líder do grupo: ela é metade demônio e, a cada dia, esse lado demoníaco está ficando mais forte. Se ela não conseguir criar o Honmoon Dourado, ela não conseguirá extirpar esse lado dela e acabará sucumbindo.

Será que as Huntrix conseguirão vencer? Descubra vendo Guerreiras do K-Pop na Netflix.

 

Infelizmente, não encontramos nenhum streaming para essa obra. 🙁
Source: JustWatch
 

Reflexão sobre Guerreiras do K-Pop: Não Tenha Medo de Ser quem Você é

O Contexto no Filme

No começo do filme, vimos que Mira e Zoey queriam uma folga depois de um show, mas Rumi solta o novo single delas para já iniciar a nova turnê. Tudo isso para acelerar o processo do criação do Honmoon Dourado e exterminar o lado demônio de Rumi.

Rumi guarda esse segredo de suas amigas. Só quem sabia era sua mestra e criadora do atual grupo. Esse segredo consome Rumi porque ela não consegue ser ela mesma e estar a vontade. Ela precisa sempre usar roupas mais compridas para esconder as marcas demoníacas e nunca pode ir no banho público com Mira e Zoey.

Porém, sua visão começa a mudar quando ela desenvolve uma relação com Jinu (o líder da boy band demoníaca). Ela descobre que os demônios são criados pelos sentimentos de vergonha, raiva e tristeza desenvolvidos quando eram humanos. Com isso, ela começa a ter pena de matar os demônios e começa a entendê-los melhor.

Essa mudança acaba provocando uma briga com suas amigas que não entendem a mudança de comportamento de Rumi. E tudo piora quando elas descobrem sem querer o lado demoníaco da líder.

As coisas só vão se resolver quando Rumi entender que o seu lado demônio faz parte dela e que ela precisa aceitar quem ela é e também não ter medo de revelar ao mundo seu verdadeiro eu.

A Mensagem do Filme

A mensagem desse filme é muito forte porque a maioria das pessoas (se não todas) possuem segredos que escondem do mundo por vergonha. Esses segredos não necessariamente são coisas erradas que alguém fez, mas podem ser apenas características ou opiniões que alguém possui, mas não quer revelar com medo de não ser aceita.

A história de Rumi serve para entendermos que não é escondendo quem somos que seremos felizes. Na verdade, estamos nos enganando enquanto enganamos as outras pessoas. E, no final, uma hora o segredo virá à tona e todo o sacrifício vivido fora em vão.

Precisamos nos certar de pessoas que aceitem quem somos, de pessoas que não têm vergonha de estar ao nosso lado por sermos quem somos. Não faz sentido nos adequarmos aos gostos e necessidades dos outros só para sermos aceitos.

Uma relação dessas sempre será falsa porque o outro lado também não teve o direito de escolher estar ao seu lado de forma sincera. O outro lado também só conhece a sua maquiagem de pessoa e, por isso, acaba não tendo uma relação sincera com você.

Não podemos culpar e condenar quando alguém se afasta de você ao descobrir que você não era tal como o outro pensava ser. Lembra que ela também estava sendo enganada. Pode ser que, com o tempo, ela entenda a situação e volte a ter uma relação normal contigo, mas pode ser que isso não ocorra mais e está tudo bem. Novas pessoas surgirão na sua vida e, acredito, essas pessoas já conhecerão o seu eu verdadeiro desde o começo.

Esconder quem somos nunca será prazeroso apesar de ser a coisa mais comum que acontece. Somos criados para fazermos isso. Nossos pais nos ensinam a mudar o comportamento quando temos visita em casa ou quando saímos. As religiões nos ensinam a controlar ou inibir características ou vontades nossas dizendo que não estão de acordo com aquilo que o ser divino espera da gente. A escola nos ensina a imitar o padrão que existe naquele ambiente mesmo que não concordemos, tirando nossa expressividade. 

É por isso que é libertador poder colocar para fora e gritar ao mundo quem somos de verdade. Infelizmente, são poucas as pessoas que conseguem isso.

O pior é que, a cada dia que passa, fica mais difícil tanto abandonar esse personagem que criamos quanto suportar esse personagem. Esse, acredito, seja um dos motivos da depressão e das crises existenciais.

Talvez, especulando aqui, o aumento da depressão e da ansiedade na sociedade é que estamos cada vez mais cedo percebendo essa prisão que vivemos ao mesmo tempo que não vemos escapatória para ela. E isso nos destrói por dentro. Talvez, antes, as pessoas não percebiam isso ou não sentiam que existiria outra forma de viver se não essa e acabavam resignadas, seguindo suas vidas desse jeito mesmo.

Porém, agora, estamos cada vez mais conscientes de quem somos e quem não queremos ser. Porém, ainda assim, a sociedade nos “obriga” a fingirmos ser quem não somos para agradar uma minoria que não necessariamente liga para o nosso sacrifício ou, o que é pior, nunca pediu esse sacrifício. Ou seja, estamos quase que sofrendo à toa.

Seria muito bom se conseguíssemos simular um cenário em que revelamos ao mundo quem somos e descobríssemos quais impactos isso trariam em nossas vidas e nas nossas relações. Acredito que, na maioria dos casos, descobriríamos que não causou problema nenhum ou, todo o “problema” causado foi facilmente consertado ou se tonou mínimo frente à liberdade que ganhamos em ser quem somos e todo o mundo novo que surgiu ao podermos nos relacionar de forma sincera e aberta.

Infelizmente, essa possibilidade ainda não existe e, por isso, a maioria de nós continua escondendo suas marcas, seu eu, do mundo. Vivemos nessa prisão em nós mesmos, aguardando uma oportunidade de sair.

E, enquanto ela não ocorre, acabamos nos confortando em obras artísticas, como esse filme Guerreiras do K-Pop: Vendo que Rumi conseguiu e deu tudo certo, nos consolamos, esperando nossa hora de brilhar.

Reflexão sobre Guerreiras do K-Pop: Conclusão

O sucesso de Guerreiras do K-Pop não está só em sua música, está em sua história. Essa história não é nova, mas ganhou nova roupagem e conseguiu atingir novos públicos. Assim, a arte continua cumprindo o seu papel de dizer os sentimentos do artista e tocar os sentimentos das pessoas. Oxalá que Guerreiras do K-Pop consigam libertar mais almas humanas desses falsos demônios que a sociedade criou para nos escravizar.

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Até a próxima e tenham uma boa viagem!

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Professor de filosofia desde 2014 e nerd desde sempre. Tem como objetivo pessoal mostrar às pessoas que filosofia é importante e não é uma coisa chata. Gosta de falar dos temas filosóficos de forma descontraída e atual, fazendo muitas referências ao universo nerd.