Olá, marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando a política de Aristóteles através de uma dinâmica. A proposta é que os alunos, em diferentes combinações, tomem decisões sobre questões políticas para demonstrar, na prática, o funcionamento do pensamento aristotélico. Essa dinâmica não tem custos nem preparação prévia, podendo ser aplicada imediatamente em uma aula. Vamos lá!
Ensinando a Política de Aristóteles através de Dinâmica: Relembrando o conceito
Aristóteles acreditava que não existe um modelo ideal de organização política.
Para ele, o que faz a diferença na política é a intenção dos cidadãos que ocupam a liderança da sociedade. Se eles buscam o bem coletivo, a sociedade será boa; se eles buscam interesses privados, a sociedade será corrupta.
Para ilustrar essa teoria, Aristóteles faz uma descrição dos tipos de governo existentes na época, dando nomes diferentes para cada tipo, distinguindo-os pela quantidade de pessoas no poder e pela preocupação ou não com o bem público.
Para saber mais profundamente essa teoria, recomendo a leitura do texto: Política de Aristóteles Descomplicada.
Ensinando a Política de Aristóteles através de Dinâmica: Dinâmica
Apresentação
Serão apresentadas de 5 a 10 situações políticas hipotéticas para os alunos, que estarão divididos em grupos que representariam as quantidades de líderes segundo Aristóteles.
Eles tomarão decisões sobre o que fazer diante dessas situações e o professor anotará as respostas para saber se eles escolheram o bem comum ou interesse privados.
Preparação
Divida a turma em três grupos:
1. Grupo de 1 aluno apenas (ele representará o governo de apenas um líder);
2. Grupo de 3-5 alunos (ele representará o governo de poucos líderes);
3. Grupos com os demais alunos (ele representará o governo de muitos).
Observação: se a turma for muito grande, o professor pode criar dois grupos para representar o “governo de muitos”. Mas eu acho que isso só vale a pena se tiver 20 ou mais alunos “sobrando”.
Explique aos alunos que você lerá situações hipotéticas, mas que tem relação com casos reais da política mundial. E que eles terão que tomar uma decisão sobre a situação.
Explique que o grupo de “apenas um” vota sozinho. O grupo de “poucos” vota coletivamente (podendo debater entre si para tomar uma decisão única). E o grupo de “muitos” vota individualmente, sendo que a decisão será tomada com base na maioria dos votos.
Explique também que é importante agir com sinceridade na hora de votar ou defender sua posição para podermos compreender corretamente o pensamento político de Aristóteles.
Execução
Comece a leitura das situações. Eu recomendo no mínimo cinco situações. Tendo tempo e sentindo que a turma está engajada, pode ler mais.
Faça a leitura “seca” da proposta, ou seja, somente com a situação hipotética abrangente. Porém, caso os alunos não consigam entender direito o que é que está em jogo na decisão, dê algum exemplo mais específico, mas ainda hipotético (para evitar que o aluno deixe sua posição política influenciar no voto).
Anote a resposta de cada grupo. Como você já sabe que a resposta pode ser pelo “bem comum” ou pelo “interesse privado”, você pode anotar um “B” e um “P” para cada decisão em vez de escrever tudo.
Saber a quantidade de decisões para um lado ou para outro é importante para dizer se aquele grupo fez um governo mais ou menos direcionado para um lado ou outro, dentro da visão aristotélica.
Lista de Situações
Segue uma lista adaptada de situações políticas que fiz com base em uma consulta ao ChatGPT:
1. Uma nova vacina contra uma doença mortal chega em quantidade limitada. Você pode garantir doses para si e seus familiares ou amigos, ou seguir critérios científicos de prioridade (idosos, profissionais de saúde, etc.).
2. Um megaprojeto de infraestrutura está prestes a começar. Você pode contratar uma empresa que cobra caro de um parente ou amigo seu que você confia, ou realizar uma licitação para que diferentes empresas apresentem seus orçamentos e credenciais.
3. Você precisa aprovar uma reforma tributária para custear serviços públicos. Você pode escolher aumentar impostos sobre grandes fortunas (que afetará você, seus parentes e amigos) ou escolher aumentar impostos sobre alimentos (que afetará toda a população).
4. Um jornal investigativo descobre escândalos envolvendo você, sua família ou aliados que fariam bem para a população se viessem a público. Você pode escolher usar leis de censura para proibir a divulgação dessa notícia ou deixar que a reportagem seja publicada.
5. Há uma pressão empresarial para liberar áreas protegidas para mineração. Você pode escolher liberar a exploração que gerarão benefícios para você e seus aliados; ou manter a área preservada e proteger as comunidades locais.
6. Em meio a uma crise econômica, você pode redirecionar verbas públicas para auxílio à população mais pobre ou manter os fundos alocados nas emendas parlamentares.
7. Você precisa escolher entre nomear especialistas técnicos para ministérios ou nomear amigos e aliados políticos sem qualificação, em troca de apoio.
8. Existe uma lei que garante foro privilegiado e imunidade para políticos (incluindo você, seus aliados e rivais), mesmo em casos de corrupção. Você pode escolher manter essa lei ou aprovar uma legislação que a derrube, tornando todos os políticos mais vulneráveis à justiça comum.
9. Você pode implementar um programa social eficiente, mas de baixo apelo político; ou um programa populista com grande impacto eleitoral, porém ineficaz a longo prazo.
10. Dados econômicos e sociais negativos estão prestes a ser divulgados. Você pode ordenar uma manipulação ou ocultação dos números para manter sua imagem, ou divulgar com transparência e assumir a responsabilidade.
Conclusão
Após todos os grupos tomarem suas decisões em todas as situações que você apresentar a eles, faça uma contagem simples para ver se cada grupo tendeu mais para o lado do bem comum ou mais para o lado dos interesses privados.
Nessa hora, eu sugiro desenhar ou mostrar uma tabela que ilustra o pensamento aristotélico como essa aqui:
Usando a tabela, o professor mostrará em qual lado cada grupo ficou.
Nos casos em que grupos ficarem do lado “errado” da tabela, ou seja, priorizaram interesses privados, vale uma fala de consolo ou reprimenda (dependendo do caso). Se os alunos sentirem orgulho de terem escolhido interesses privados, mostre que eles estão errados e que é por muitos pensarem assim que nossa política está corrupta e nossa sociedade está cheia de problemas. Se os alunos sentirem vergonha de terem escolhido interesses privados, console-os explicando que, por muitos anos, eles foram “educados” com pensamentos egoístas, mas que, agora, eles estão aprendendo com as aulas de filosofia política a serem melhores pessoas e tomarem melhores decisões.
Ensinando a Política de Aristóteles através de Dinâmica: Relacionando a Dinâmica com a Aula
Bom, acredito que já tenha ficado muito óbvia a relação entre a dinâmica e a filosofia política de Aristóteles, mas vamos a algumas explicações mesmo assim.
A dinâmica fez com que os alunos se dividissem em grupos semelhantes às divisões de quantidade de governantes no poder segundo o critério de Aristóteles. Depois, a partir de suas escolhas, pudemos perceber se esses grupos são mais tendenciosos ao bem comum ou ao interesse privado.
É importante o professor destacar que a quantidade de governantes no poder não faz diferença para Aristóteles. A diferença está naquilo que esses governantes buscam: o bem comum ou interesses privados. Será com base nesse segundo critério que uma sociedade será feliz ou infeliz.
O professor pode dar exemplos de vários governos que existiram ou ainda existem para exemplificar sucessos e fracassos independentemente se é um, poucos ou muitos no poder.
Aqui, vale um destaque para o conceito de “animal político” que Aristóteles atribui ao ser humano, mostrando como a política pertence a nossa natureza e como precisamos levá-la a sério (isso inclui debate político e voto consciente) se quisermos uma sociedade boa e justa.
Ensinando a Política de Aristóteles através de Dinâmica: Interdisciplinaridade
Essa aula pode ser dada junto com os professores de História e Sociologia.
O professor de história pode passar pelos diversos governos que ocorreram no passado e nos atuais Estados, mostrando suas diferenças e como elas foram benéficas ou problemáticas para as sociedades governadas.
O professor de sociologia pode aproveitar essa aula para trabalhar conceitos de poder e cidadania, características do Estado moderno, e a importância do sufrágio universal (voto) e direitos políticos.
Conclusão
A política de Aristóteles é muito importante para perdermos o preconceito com outros sistemas e formas de governo que são diferentes dos nossos e também entender como nosso voto e preocupação política faz toda a diferença. Essa dinâmica também serve para “manifestar” nossos pensamento egoístas ou altruístas, os quais, posteriormente, poderão ser trabalhados em aula ou em terapia.
E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema de filosofia política para uma aula lúdica? Entra em contato comigo!
Até a próxima e tenham uma boa viagem!
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