Ensinando a Historicidade da Beleza através de Vídeos: A Morte do Cisne

Ensinando a Historicidade da Beleza através de Vídeos: A Morte do Cisne

Olá, marujos! Hoje, mostrarei como vocês podem estar ensinando a historicidade da beleza através de vídeos de dança que retratam a morte de um cisne. O objetivo é que os alunos vejam duas interpretações totalmente diferentes e entenda como o conceito de beleza pode mudar ao longo da história. Vamos lá!

Relembrando o Conceito

Para Hegel, a beleza muda de face e de aspecto através dos tempos.

Para o filósofo, a arte é uma manifestação sensível do que ele chama de Espírito Absoluto. Como o Espírito está em constante evolução e mudança, a arte também está sempre mudando.

Essa mudança (devir), que se reflete na arte, depende mais da cultura e da visão de mundo vigente do que de uma exigência interna do belo.

Não existiria um padrão eterno de beleza, assim como também está errado dizer que a beleza é subjetiva. A cada época, o Espírito se manifesta em um certo padrão de beleza, que é adequado para aquela época e lugar.

Esse padrão de beleza está atrelado à consciência humana, a qual também é histórica. Sendo assim, para entender a beleza é preciso entender o ser humano.

Da mesma forma, podemos entender o ser humano pelo padrão de beleza que se exalta em determinado momento histórico.

Ensinando a Historicidade da Beleza através de Vídeos: Dançando a Morte do Cisne

Apresentação

A proposta é que os alunos vejam duas interpretações de A Morte do Cisne, um solo que retrata os últimos momentos de um cisne. A dança tem como música O Cisne de Camille Saint-Saëns, e é parte da suíte O Carnaval dos Animais.

Curiosidade: muitas pessoas, inclusive eu antes de escrever esse artigo, acham que A Morte do Cisne faz parte do balé clássico Lago dos Cisnes. Porém, como falei acima, não faz.

A primeira interpretação é a dança original, que foi criada por Michel Fokine em 1905, executada por uma bailarina ucraniana renomada:

A segunda interpretação é um adaptação contemporânea (popping) de John Lennon da Silva, exibida no programa “Se ela dança, eu danço”:

Execução

  1. Comece explicando para os alunos que eles verão um balé clássico que mostra a morte de um cisne.
  2. Exiba o primeiro vídeo (com a bailarina).
  3. Peça para os alunos comentarem o que acharam: bonito, chato, elegante, dramático, triste etc. Deixe os comentários fluírem, especialmente se forem além de simples impressões básicas.
  4. Agora, explique que eles verão outra versão dessa mesma cena.
  5. Exiba o segundo vídeo (com o John Lennon, no programa de TV).
  6. Novamente, peça para os alunos comentarem o que acharam dessa interpretação. Deixe os comentários fluírem.
  7. Por fim, peça para os alunos escolherem qual gostaram mais e justificar (você pode pedir para todos fazerem isso, escolher alguns alunos para isso, ou deixar livre quem quiser se manifestar).

Dinâmica Extra

Se achar pertinente, proponha um desafio aos alunos: alguém fazer uma interpretação improvisada da morte do cisne. Precisa ser algo novo, mas podendo ter traços das suas interpretações do vídeo.

Se alguém topar, dê pontos ou prendas para os corajosos!

Ensinando a Historicidade da Beleza através de Vídeos: Relacionando os Vídeos com a Matéria

A ideia é que os alunos entendam que as duas apresentações da morte do cisne são danças que podem ser consideradas arte. O balé clássico foi composto em 1905, enquanto a versão do brasileiro é de 2011, inspirada em uma dança que surgiu nos anos 1970.

No passado, a versão balé com certeza era vista como a coisa mais bela que poderia ter sido feita e se alguém cogitasse reinterpretar essa cena como John Lennon fez, seria duramente criticado.

Por outro lado, hoje, a maioria dos adolescentes olha para a versão balé e acha tudo muito chato, enquanto acham a versão de John Lennon muito mais interessante e impactante. Não se recusaria o balé como arte, mas o consideraria antiquado, ultrapassado. Enquanto a dança de John seria moderna, jovem, atual.

Isso tem tudo a ver com a visão hegeliana da arte. O Espírito Absoluto mudou, evoluiu, e sua manifestação artística também mudou, evoluiu.

Essa mudança não ocorre só na dança, mas também na música, na TV, no cinema, no teatro, na pintura, na literatura etc. Muitas coisas que eram consideradas obras de arte no passado podem ser vistas hoje como produções antiquadas, e muitas obras de arte modernas são vistas pelos mais velhos ou entusiastas do passado como “não-arte”, como a deturpação do que seria a verdadeira arte.

A grande questão é que, como Hegel deixa claro, a manifestação artística muda conforme a sociedade muda. Isso não é questão de certo ou errado, é questão de fato incontrolável.

Logo, o conceito de beleza muda seguindo essa dinâmica: muitas coisas consideradas belas no passado, hoje são vistas como feias. E coisas feias no passado são vistas como belas.

Os padrões de beleza também mudaram conforme a sociedade muda. Gosto de usar o exemplo do corpo das mulheres: no passado distante, valorizavam-se mulheres “cheinhas”; no passado recente, mulheres magríssimas; e, atualmente, um corpo mais atlético. Essas mudanças possuem relação com aquilo que as sociedades de cada época (obviamente, patriarcais) valorizavam e valorizam.

Apesar disso, não precisamos abandonar a arte e as noções de beleza do passado e abraçar sem crítica os atuais conceitos de arte e beleza. Podemos admirar o passado e criticar o presente, e vice-versa. Precisamos aceitar que a mudança acontece e ela é natural, faz parte do ser do mundo.

Ensinando a Historicidade da Beleza através de Vídeos: Interdisciplinaridade

Essa aula pode ser dada junto com o professor de Artes.

Essa é uma das interdisciplinaridades mais óbvias, né? O professor de Artes pode tanto trazer outros exemplos para ilustrar essas mudanças de beleza na arte, quanto pode colocar os alunos para praticarem alguma coisa artística inspirada na aula (como a reinterpretação da morte do cisne, como sugeri lá em cima).

Conclusão

Considero essa aula bem interessante porque ela mexe com os preconceitos dos alunos. Ela é uma forma de forçá-los a compreender que a realidade não é só o que eles vivem e que precisam ter maturidade para olhar para o diferente e também saber apreciar. Da mesma forma, essa aula serve para lhes dar base filosófica para defender seus atuais gostos estéticos, os quais são normalmente criticados por seus responsáveis.

E aí? Alguma parte ficou confusa? Deixa sua dúvida nos comentários! Conhece algum professor de filosofia? Compartilha esse artigo com ele! Quer sugerir outro tema para uma discussão estética? Entra em contato comigo!

Até a próxima e tenham uma boa viagem!

———————————————————————————————

APOIE NOSSAS VIAGENS!

Faça um PIX de APENAS R$0,10 (dez centavos) 

Ensinando a Historicidade da Beleza através de Vídeos: PIX

Chave PIX: contato@naudosloucos.com.br

———————————————————————————————

Posted in Filmes / Séries / Desenhos /Animes / Vídeos, Filosofia Lúdica and tagged , , , , , , .

Professor de filosofia desde 2014 e nerd desde sempre. Tem como objetivo pessoal mostrar às pessoas que filosofia é importante e não é uma coisa chata. Gosta de falar dos temas filosóficos de forma descontraída e atual, fazendo muitas referências ao universo nerd.